O Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi – HGG teve um artigo científico publicado na Revista Científica da Escola de Saúde Pública de Goiás – “Cândido Santiago” (RESAP). Intitulada “Fatores associados à incidência de diarreia nosocomial em pacientes críticos”, a pesquisa foi desenvolvida pela residente de nutrição, Júlia Machado Borelli, sob orientação da tutora Daianna da Mata.
O estudo investigou os fatores associados à ocorrência de diarreia nosocomial, aquela que se desenvolve durante a internação hospitalar, especialmente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e seus impactos clínicos em pacientes críticos. A condição é reconhecida como um evento adverso relevante, por estar associada a piores desfechos clínicos, maior tempo de permanência hospitalar e aumento dos custos assistenciais.
De acordo com a tutora Daianna da Mata, o objetivo foi compreender quais variáveis clínicas e nutricionais estariam relacionadas ao desenvolvimento da diarreia nesse perfil de pacientes. “Esse estudo se propôs a verificar os fatores associados à diarreia nosocomial, que é aquela que acontece durante a internação na UTI. A diarreia é um dos fatores que contribuem para um pior desfecho do paciente crítico. Entender esses fatores é extremamente relevante para que possamos estabelecer políticas mais assertivas, capazes de mitigar a incidência da diarreia e seus efeitos clínicos”, explica.
A coleta de dados foi realizada entre março e setembro de 2025, com os pacientes sendo acompanhados por 10 dias. Foram incluídos indivíduos com tempo de internação superior a 72 horas e que estivessem exclusivamente em uma única via de alimentação, oral, enteral ou parenteral. Foram excluídos pacientes com câncer intestinal, doença inflamatória intestinal, uso de quimioterápicos, prescrição de laxantes, internação motivada por diarreia ou fecaloma, além de readmitidos na UTI. O rigor metodológico buscou minimizar fatores de confusão e assegurar maior robustez aos resultados.
A amostra foi composta por 79 pacientes, dos quais 26% desenvolveram diarreia ao longo do período de acompanhamento. Entre os principais achados, observou-se que os pacientes que apresentaram o quadro tiveram maior tempo de internação, evidenciando impacto direto na permanência hospitalar e na complexidade do cuidado. Também foram identificadas menores médias de hemoglobina e maiores médias de magnésio sérico entre os casos com diarreia.
Outro dado relevante foi a associação entre a oferta plena de calorias e proteínas e o aumento do risco de ocorrência da condição. Pacientes que receberam o aporte máximo permitido apresentaram até três vezes mais chances de desenvolver diarreia durante a internação em UTI. “A oferta plena de calorias e proteínas conferiu um aumento de até três vezes na chance de ocorrência de diarreia”, destaca Daianna.
O estudo também demonstrou que o tempo prolongado de internação elevou a probabilidade de desenvolvimento do quadro, enquanto não foi observada associação significativa entre uso de fármacos e a ocorrência de diarreia na amostra analisada.
“A importância deste estudo é começarmos a compreender todo o impacto da diarreia nosocomial e os fatores que a desencadeiam, para que possamos identificar precocemente os casos e atuar de forma mais proativa no manejo. Além disso, as publicações recentes sobre diarreia nosocomial são muito raras, o que evidenciava uma lacuna significativa nesse campo de pesquisa. Assim, este artigo vem justamente para suprir essas deficiências de conhecimento na área.”