A Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos - Rede Hemo realizou, no último sábado (7), uma roda de conversa voltada a pacientes com hemofilia no Hemocentro Coordenador Estadual de Goiás Prof. Nion Albernaz, em Goiânia. A ação foi promovida em parceria com a Associação dos Hemofílicos do Estado de Goiás e marcou o anúncio de importantes inovações no cuidado e no acompanhamento do tratamento domiciliar com medicamentos pró-coagulantes.
Durante o encontro, foram apresentadas medidas que qualificam o processo assistencial, ampliam a segurança sanitária e fortalecem a autonomia dos pacientes e familiares. Entre os avanços está a incorporação do Emicizumabe para crianças de 0 a 6 anos com hemofilia A, ampliando o acesso a uma terapia inovadora e menos invasiva. Também foi anunciada a entrega de potes rígidos e rastreáveis para o descarte adequado de materiais perfurocortantes, além de uma cartilha educativa e a exibição de um vídeo orientativo com informações técnicas sobre armazenamento e conservação dos fatores de coagulação.
O gerente de Assistência Farmacêutica do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano - Idtech, André Cândido, destacou que a iniciativa representa uma mudança estrutural na forma de organizar o cuidado. “Estamos reunidos com a Associação dos Pacientes Hemofílicos para falar sobre a inserção do Emicizumabe, um tratamento inovador, e para dar ênfase aos cuidados com os perfurocortantes. Antes, os pacientes armazenavam esses materiais da melhor forma que conseguiam, muitas vezes em garrafas PET, o que podia trazer risco de acidentes e contaminação. Idealizamos potes personalizados e identificados, que permitem rastrear a origem do material. Isso traz segurança para o paciente, para os profissionais e também para o meio ambiente”, afirmou.
A hematologista e responsável técnica pelo Hemocentro, Érika Paiva, explicou que o novo fluxo facilita o manejo domiciliar e elimina riscos associados ao descarte inadequado. “Com esses potes rastreáveis, o paciente leva o coletor para casa e devolve na unidade, e nós mesmos realizamos a destinação correta. Muitos perfurocortantes têm contato com sangue, especialmente em acessos venosos, o que representa risco de contaminação. Essa medida evita acidentes e dá mais praticidade para eles”, ressaltou.
Ela também reforçou a importância das orientações sobre conservação dos medicamentos. “Abordamos qual o local adequado da geladeira, a temperatura correta, a necessidade de não congelar o produto e, em alguns casos específicos, a possibilidade de manter em temperatura ambiente, sem exposição solar. É fundamental evitar desperdícios de um fator que é caro, dispendioso e essencial para o tratamento.”
Para as famílias, o momento foi de aprendizado e fortalecimento de vínculos. Keila Potelho, secretária da Associação e mãe de João Pedro, 16 anos, e Enzo, 8 anos, ambos com hemofilia grave, compartilhou sua experiência com os dois modelos terapêuticos. “Já são oito anos aqui, é a nossa segunda casa. O João faz profilaxia três vezes na semana com fator VIII, e o Enzo entrou no programa do Emicizumabe, com aplicação a cada 15 dias. São experiências diferentes, mas ambas muito positivas. Eu amo cada uma das experiências que estamos vivendo”, relatou.
Sobre o descarte de perfurocortantes, Keila reconheceu o impacto prático da mudança. “Eu usava garrafa PET, fazia um furo e colocava as agulhas ali. Agora, com os potinhos, vai facilitar muito mais. Vai ajudar não só a minha família, mas outras também a fazer o uso correto. Essa orientação é muito importante para aprender a separar e manusear os materiais.”
O presidente da Associação dos Hemofílicos do Estado de Goiás e primeiro vice-presidente da Federação Brasileira de Hemofilia, Jorge Pereira Porto Pereira, enfatizou que ações educativas são essenciais para a evolução do cuidado. “Toda forma de ação educativa vem ao encontro das nossas necessidades. Armazenamento, descarte, tudo isso faz parte das nossas lutas. Hoje o tratamento está muito mais acessível do que no passado, mas precisamos continuar mudando a mentalidade das pessoas. Essa união entre a associação e o Hemocentro é fundamental para fortalecer vínculos e tratar nossa comunidade de maneira humanitária”, afirmou.